Artigo: A presença de Deus acompanha os quebrantados



Texto base: Salmo 51

Uma das chaves que tocam o coração de Deus se chama quebrantamento, o dicionário traz um significado interessante sobre a palavra quebrantar: "Quebrar, ou pôr em estado próximo da quebra. 2. Tr. dir. Amansar, domar, vencer. 3. Tr. dir. Macerar, machucar. 4. Tr. dir. Diminuir o vigor ou tirar a energia de. 5. Pron. Perder as forças, perder o ânimo; debilitar-se, enfraquecer-se. 6. Tr. dir. Servir de lenitivo a; abrandar, suavizar. 7. Pron. Sofrer a ação de quebranto". Quando nos colocamos diante de Deus quebrantados, estamos nos despojando de toda força humana para lutar, não há objeções para o agir de Deus, pois nos rendemos de corpo, alma e espírito, reconhecendo que não temos a menor condição de caminhar sem a sua presença. Em outras palavras o quebrantamento submete-nos ao Governo de Cristo! Quebrantar-se é declarar que não temos força diante daquele que possui toda a Força e Poder. O livro de Salmos declara no capítulo 51 verso 17:


"O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus"


Para que um sacrifício seja agradável a Deus é preciso passar pelas etapas relacionadas ao quebrantamento, e apenas desta forma chegar neste patamar tão precioso. Para andarmos nas veredas do quebrantamento precisamos compreender como devemos nos apresentar a Deus, quais são os parâmetros bíblicos que nos levam a este estado de submissão e reconhecimento do Eterno. Ao analisarmos o Salmo 51 vemos logo no início Davi confessando os seus pecados, reconhecendo as suas transgressões. Ele clama ao Senhor pedindo a purificação da sua vida. A verdadeira purificação nos conduz a restauração e a renovação. O quebrantamento tem este poder de nos conduzir ao reconhecimento de falhas e a confissão dos nossos pecados (versos 01 a 07). Guarde esta palavra "reconhecimento". Por isso um dos motivos da falta de perdão é a ausência do reconhecimento da falha. Já vi diversos filmes em que os personagens no instante final de suas vidas declaram: "nunca me arrependi de nada do que fiz". Que perigo! Não se arrepender é a mesma coisa de carimbar o passaporte para a morte eterna.

Outro ponto de atenção refere-se ao costume de transferir a culpa dos nossos pecados ao próximo, nos eximindo da transgressão. Lembra-se de Adão; "A mulher que tu me deste", quando ele declarou isso a Deus, estava repassando o peso da sua culpa a Eva, que por sua vez transferiu a serpente; "A serpente me enganou e eu comi". Em outras palavras, é mais fácil transferir o erro do que assumi-lo. Veja a importância da confissão e do perdão dos pecados. Depois do reconhecimento e da confissão Davi clama pela purificação. O verso 07 retrata o pedido pela limpeza do seu interior, para depois atingir o seu o exterior. Vemos uma escala que deve começar de dentro para fora. "Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve." Não adianta se preocupar com aparência externa se internamente você estiver como um sepulcro caiado, desta forma a limpeza é apenas superficial.

A confissão é o primeiro passo para o quebrantamento, e nos faz viver tempos de restituição e sustentação da parte de Deus, Davi declara no verso 12; "restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário". Desta forma é possível mostrar através da nossa vida a vida de Cristo, a nossa boca se enche de louvor e a nossa língua com cânticos de justiça. (versos 14 e 15). Um louvor aceitável a Deus é fruto de um coração quebrantado que constantemente oferece ao Senhor um sacrifício que lhe agrade. O próprio Davi é um exemplo de quem andou de forma sacrificial diante de Deus, a palavra declara que quando ele levava a Arca de Obede Edom para Jerusalém a cada seis passos dados ele oferecia um sacrifício ao Senhor (II Samuel 06:13). Davi sabia que o mais importante não era o sacrifício, mas o estado do seu coração em ofertar e oferecer algo com excelência, e tinha que partir de dentro dele através da obediência.

A manifestação da presença de Deus gera benignidade e verdade, que são antecedidas pela Justiça e Juízo. É essencial para aqueles que o buscam, que eles estejam firmados na justiça e Juízo, separados do pecado e da iniquidade tendo em suas vidas a consciência de que o relacionamento com Deus é feito não apenas de um momento. Ter a presença de Deus envolve rendição, confissão e reconhecimento de quem somos perante Ele. Discernir a presença de Deus é como entender a sua vontade, quebrantando-se, humilhando-se, tornando-se apenas um canal para a sua Glória. Quando a Presença nos guia, tudo é mais fácil, entendemos que não precisamos "ajudar" a Deus, pois tanto o querer quanto o efetuar estão diante Dele (Filipenses 02:13). Deixe toda a resistência de lado, tudo aquilo que o impeça de desenvolver um relacionamento com o Pai, torne-se alguém que compartilhe a cada dia dos propósitos de Deus e principalmente tenha sobre si a presença dEle.


Em Cristo,
Bruno Nakakura.

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