Artigo: Adoração versus profanação no Templo



Texto base:
João 2:12-25.

A classe religiosa da época de Jesus era uma classe corrompida pelo pecado, havia tornado a palavra de Deus meros escritos, trazendo ênfase apenas para as "tradições humanas". O foco estava na aparência e naquilo que era visto pelas pessoas, eram doutrinas que se opunham as leis divinas, sendo o produto delas uma vã adoração (Marcos 7:07). Vemos a partir desta narrativa um ponto fundamental no entendimento sobre a importância da adoração bíblica e a santificação. Não é possível adorar a Deus sem os critérios estabelecidos pela palavra; em espírito e em verdade.

O reflexo da condição humana pecaminosa do homem agora era visto nos arredores do templo e principalmente dentro dele, onde os seus sacerdotes corrompidos haviam tornado ou mesmo permitido a comercialização das ofertas oferecidas no altar, profanando o ritual, as próprias ofertas e principalmente quem estava envolvido no sacrifício. Haviam perdido a essência da Adoração que é a renuncia, a entrega e o coração contrito.

O Texto de João capítulo dois retrata os momentos que antecederam a Páscoa, para compreendermos o ambiente desta festa e a sua importância, precisamos observar alguns pontos:


- Era um evento que envolvia todos aqueles que pertenciam ao Povo de Israel, segundo Êxodo 12, os sacrifícios eram realizados por todos da nação;

- Local dos sacrifícios era definido conforme Deuteronômio 16:05:06, entendia-se naquele momento que a localização era o santuário; A bíblia enfatiza que ao longo do tempo alguns locais eram indicados por Deus para a congregação do povo, vemos um foco na coletividade e unidade;

- De todas as partes muitos peregrinos vinham a Jerusalém oferecer ao Senhor suas ofertas, traziam uma variedade de moedas com a intenção de comprar animais para o sacrifício.


Devido às longas distâncias, muitas vezes era mais fácil comprar um animal perto do templo do que trazê-lo de muito longe. De olho neste grande fluxo de pessoas os cambistas transformaram o templo num barulhento mercado de vendas. Imagine você, um espaço que deveria ser utilizado para reflexão, oração e entrega das ofertas, tinha dentro de seus muros um burburinho de pessoas gritando e vendendo as suas mercadorias, a essência da adoração não havia mais, tornara-se então uma casa de Negócios, um covil de salteadores (Mateus 21:13). Em outras palavras o templo havia sido corrompido pela ganância dos sacerdotes que cobravam taxas e pelos mercadores e cambistas que faziam toda a sorte de negociatas.

No Evangelho de Marcos capítulo 11 verso 15, temos uma explicação mais detalhada deste evento, declara que Jesus expulsou tanto os que vendiam como os que compravam, inclusive aqueles que iriam oferecer os seus sacrifícios, que adquiriram suas "ofertas" através de negociatas. Se a base do sacrifício estiver errada, conseqüentemente toda a ação em prol da oferenda estará condenada. A profanação chegou a todos os âmbitos do templo, até os que estavam exercendo algum serviço naquele momento foram impedido de continuar, o texto declara; "não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo". Quantos sacrifícios estavam sendo oferecidos naquele lugar que não foram aceitos pelo Senhor? Não se gerava mais o peso da morte de um inocente, não havia o quebrantamento nos corações em detrimento ao pecado

Entendemos que o templo naquele momento representava o homem caído, seus sacerdotes refletiam a falta de interação com Deus, e seus sacrifícios por causa do pecado não tinham mais valor. Precisamos refletir! Quantas pessoas estão "adorando" a Deus com base em doutrinas de negociatas, que não refletem a condição humana, que servem apenas de um negociador dos dons do Espírito (lembra das pombas?). A profanação surge à medida que se perde o devido valor da presença de Deus, não havendo mais o sentimento genuíno de contrição e entrega.

Toda a ênfase de uma doutrina falsa está no homem e no desejo de se obter vantagens próprias. Foi desta forma que Lúcifer profanou os seus santuários (Ezequiel 28:11-19), na multiplicação do seu comércio encheu o seu interior de ira, pecando contra Deus. Ele queria ser semelhante ao Altíssimo, buscou exclusivamente pra si! Corrompeu-se completamente.

Jesus vem restaurar a comunhão do homem com Deus, exatamente num tempo de extrema corrupção dos sacerdotes e da estrutura de sacrifícios. Sua morte aconteceu na Páscoa, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 01:29), rasga o véu da separação (Mateus 27:51), Ele enfatiza durante o seu ministério o conceito da adoração, o foco não está no lugar onde se adora, mas na forma como se deve adorar. Aqueles que amam a Deus, tendo em seus corações a disposição de honrá-lo independente de trocas ou privilégios, podem usufruir de um relacionamento íntimo com o Pai. Este perfil de adorador é tão difícil de encontrar que o Pai procura os autênticos adoradores, em outras palavras os verdadeiros adoradores. Por isso, das crianças suscita o perfeito louvor, não há interesse próprio, não há busca de vantagens, temos como foco aqui a pureza do coração.

Como restaurar o templo profanado? Destruindo-o! Acabando com toda a estrutura pecaminosa, para o homem resta apenas a morte. Cristo faz uma analogia do templo profanado como o corpo em seu estado pecaminoso, não sabiam os sacerdotes e as pessoas do seu tempo que Ele se referia a condição do homem e do seu sacrifício em resgate. Importante ressaltar que Jesus não tinha pecado, mas se ofereceu como sacrifício pelo homem, pagando alto preço na Cruz. Apenas através da morte é possível restaurar a Vida.

Romanos 6:4-11 declara: "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.


Lembre-se dos motivos que te levam a adorar a Deus, necessariamente devem passar por uma atitude aceitável com bases verdadeiras. Adoração é a resposta a uma revelação!!!


Em Cristo,
Bruno Nakakura.

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